terça-feira, 1 de agosto de 2017

13 Reasons Why aumentou buscas sobre 'como cometer suicídio', diz estudo,CONFIRA!



De todas as produções originais da Netflix lançadas em 2017, nenhuma despertou tanta polêmica quanto 13 reasons why, disponibilizada no fim de março. Inspirada em um livro homônimo escrito dez anos antes por Jay Asher, a série televisiva com produção-executiva da cantora Selena Gomez criou uma celeuma no campo da saúde pública porque teria apresentado o suicídio sob um viés romantizado - forma repudiada pela Organização Mundial de Saúde por incentivar a ocorrência de outros casos. O serviço de streaming e os criadores sempre rebateram a associação entre o conteúdo do programa e a incitação à prática e garantiram se valer da consultoria de profissionais gabaritados antes e durante a gravação das cenas.




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A controvérsia atravessou um estudo da Universidade Estadual de San Diego, na Califórnia, e produziu um resultado nada favorável à série: conduzida pelo epidemiologista John Ayers, a pesquisa estabeleceu conexão de causa e efeito entre o seriado e o aumento na busca online por métodos para tirar a própria vida.

Psiquiatra faz 13 alertas sobre a série 13 reasons why

A expressão "Como cometer um suicídio" teve crescimento de 26% na procura de usuários norte-americanos do Google entre os dias 31 de março e 18 de abril - o limite foi definido para evitar a contaminação do estudo pelas notícias do suicídio, um dia depois, do jogador de futebol americano Aaron Hernandes. Registraram crescimento também as construções similares "cometer suicídio" (18%) e "como se matar" (9%).

O estudo detectou ainda aumento na procura por informações sobre o assunto. "Número de linhas de suicídio (telefones emergenciais com serviços de prevenção)", "Emergência de suicídio" e "prevenção ao suicídio" tiveram crescimento de 21%, 12% e 23%. O assunto também despertou buscas correlatas à idade, como o suicídio entre adolescentes (34%), faixa etária na qual se desenvolve a trama televisiva.

Apesar do aparente equilíbrio entre os indicadores pró e contra, o autor do estudo enxergou os dados com preocupação. "13 reasons why elevou alertas de suicídio, mas é preocupante que as buscas indiquem que o ideal de suicídio também cresceu. As buscas por suicídio são correlacionadas com atuais suicídios, cobertura midiática de suicídio concorre para aumentar tentativas de suicídio e buscas por métodos precisos de suicídio cresceram depois do lançamento da série", avalia o epidemiologista.

A série da Netflix é contada a partir do relato contido em fitas cassete gravadas pela adolescente Hannah Baker (Katherine Langford) e enviadas para pessoas do círculo de convivência da estudante logo após o suicídio cometido por ela. O áudio descreve - a partir de recordações da jovem - como alunos e docentes se tornaram "culpados" pela decisão dela de se matar. Parte bastante criticada do seriado, a cena do suicídio de Hannah é apresentada de forma crua e em detalhes - tanto o método usado como as sensações da estudante são exibidos sem qualquer ressalva, à exceção de um aviso prévio de cenas impactantes no começo do episódio.

O Ministério Público da Paraíba chegou a recomendar o boicote da série da Netflix, no rastro dos alertas feitos por profissionais da saúde especializados na prevenção e no tratamento de pessoas mentalmente vulneráveis ou em situação de depressão. Na Tailândia, o programa foi censurado para telespectadores abaixo dos 18 anos.

O serviço de streaming argumentou ter disponibilizado, no próprio catálogo, um vídeo de conscientização sobre o programa para minimizar efeitos negativos da produção. Na internet, o roteirista do episódio com a cena mais forte da jornada de Hannah defendeu a exibição do suicídio. "Parecia a oportunidade perfeita para mostrar como realmente é", afirmou Nic Shef, ex-dependente químico e sobrevivente a uma tentativa de se matar. "A coisa mais irresponsável seria não mostrar", salientou.

"Os efeitos deletérios de 13 reasons why poderiam ter sido reduzidos se fossem seguidas as recomendações da Organização Mundial de Saúde para prevenção de suicídio, como a remoção da cena mostrando o ato ou a informação de telefones de ajuda em cada episódio. Essas estratégias poderiam retroalimentar os episódios, incluindo o planejamento da segunda temporada, ou serem aplicadas a outros programas", observa o estudo.

A pesquisa também enxerga a necessidade de fazer a advertência antes dos lançamentos para evitar os efeitos negativos em vez de apenas minimizá-los em seguida.
A Netflix confirmou a segunda temporada da série 13 reasons why. O foco será nas consequências do suicídio de Hannah sobre os colegas de classe e a escola onde ela estudava. As gravações começaram em junho.

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